Morada das lembranças

Título: Morada das lembranças
Autora: Daniella Bauer
Editora: Biruta (cortesia)
Páginas: 200
Edição: 1
Lançamento: 2014
Sinopse: Através dos olhos de uma menina, o leitor acompanha a trajetória de sua família que, em meio à Revolução Russa de 1917, viu‑se obrigada a deixar para trás tudo o que conhecia e a empreender uma audaciosa e perigosa fuga rumo a um destino totalmente desconhecido. Com novas vidas e identidades, vê-se despertada pelas inúmeras perguntas que permanecem sem resposta. Mas, essa é a chave da morada. Não ter as respostas lhe permite seguir em frente e abrir todas as portas.

Resenha

Esse é um livro de memórias, de lembranças e de sentimentos perdidos e descobertos. É a história de uma garotinha de 7 anos que precisou fugir de seu país, junto com a mãe e o irmão mais novo, após a morte do pai, e que passou por diversas coisas ruins depois disso, até finalmente descobrir que tinha força e voz para seguir seu próprio caminho.

O mundo já havia sido um lugar bom. – página 40

Maria (nome que a personagem é obrigada a adotar) viaja num navio da Polônia com destino ao Rio de Janeiro, onde vive sua avó materna, com quem ela não tem o mínimo de contato. Antes disso, ela viu a miséria, a morte, a fome, as doenças e a dor em seu caminho para a liberdade, enquanto fugia de seu próprio povo, com o seu povo. Isso tudo acontecia durante a Revolução Russa, perto da Primeira Guerra Mundial, em 1917.

A garota viveu em meio à duas guerras, e após passar meses dentro de um navio que não garantia em nada a sua sobrevivência, ela também foi obrigada a conviver com sua avó e a trabalhar para garantir seu sustento, o da mãe, (que estava doente) e do irmãozinho mais novo, com poucos anos de idade. Ainda criança, Maria (não acho correto chama-la assim, mas é melhor do que menina) amadureceu e se tornou uma adulta, lutando para continuar de pé e cuidar do que lhe restou da família. Vê-la crescer desse jeito e fazer coisas adultas quando deveria estar brincando me apertou o peito, mas não deixei de sentir orgulho dela por isso.

Não devia haver um coração que batesse no peito daquelas pessoas cruéis. Se houvesse, coisas como aquelas não aconteceriam. – página 39

Uma personagem que me trouxe sentimentos contrários aos de Maria foi a avó, uma mulher fria, ignorante, horrível e todas as outras coisas ruins que eu não conseguiria listar aqui. Ela não se importava com a filha ou os netos, queria mais é que eles saíssem de sua casa e a deixassem em paz. Não admitia que Maria, sua mãe e o irmão seguissem o judaísmo, religião dos próprios, ou que falassem em russo, e parecia achar que Maria devia tudo à ela, mesmo quando não tinha dado nada à menina, nem mesmo um pouco de amor.

Não conseguia e ainda não acredito que este livro é uma ficção, pois poderia muito bem ser uma história real. É cheio de momentos tristes e difíceis, como deve ter sido a vida de todo refugiado da história do mundo, mas também contém momentos felizes, carinhosos e amorosos, como toda vida deve ter. É uma história maravilhosa, e a editora a deixou ainda mais bela com a diagramação, que está além de incrível.

Queria que o livro fosse maior, queria conhecer ainda mais a personagem e vê-la crescer novamente do jeito que cresceu, determinada, forte, inteligente e muito, mas muito curiosa.
Morada das lembranças é um livro maravilhoso e cheio de aprendizado, não só de história, como também da vida, e estou muito feliz por tê-lo conhecido



15 comentários

  1. Oi Dryh

    A primeira coisa que chama atenção no livro é a capa, achei linda, a premissa é a segunda, livros que falem ou citem guerras independente de ser baseado em fatos reais ou ficção são na maioria das vezes muito bons.
    E quanto a história do livro da Maria ser uma refugiada e ter desde pequena ser obrigada a lutar pelo sustento da vida família dela é uma coisa que ainda é comum em alguns lugares.A questão dos refugiados é um assunto triste, que vemos toda vez que ligamos a tv ou mesmo lendo noticias na internet, gostei da resenha e anotei a dica.

    Bjss

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    1. a capa é linda mesmo, e a diagramação do interior é ainda mais linda ♥ infelizmente é uma coisa que nunca vai acabar, não é mesmo? Como disse a própria personagem, "o mundo já foi um lugar bom" :/

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  2. Olá!
    Primeiramente, parabéns pelo blog e pela resenha, eu adorei aqui e já estou seguindo. <3
    A história é maravilhosa, temas históricos sempre me chamam a atenção. Fiquei muito curiosa com esse livro!
    Beijão.

    http://leitoracretina.blogspot.com.br/

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    1. obrigada ♥ espero que você goste do livro :)

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  3. Olá!
    Sinto que vou chorar até a outra semana ao ler esse livro. Não aguento livros com temáticas de guerra mundial, eles sempre me deixam abalada.
    Eu te indiquei para responder uma tag lá no meu blog :3 Depois dá uma olhada lá http://loucurasaovento.blogspot.com.br/2015/09/livros-pokemon-tag-literaria-pokemon.html

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    1. haha' pode acontecer *-* muito obrigada pela indicação, Ju ♥

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  4. Olha eu sinceramente não conhecia esse livro e achei tudo que você abordou muito bom.
    Eu não sei se pegaria esse livro para ler no momento por conta do gênero, até porque me parece ser uma estória bem triste. Mas mesmo assim gostei de tudo que você falou e também seu ponto de vista sobre ele. Me pareceu uma estória envolvente. E as vezes pode ser mesmo que o livro seja um FATO REAL. O negócio é pesquisar. Mas não sei. Teria que ler para saber também. Mas muito legal a sua resenha. Eu adorei, sério. Eu acho que se tiver em ebook eu vou baixar =]

    http://lovereadmybooks.blogspot.com.br/2015/09/resenha-procura-de-audrey.html

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    1. é uma história triste, sim, Silvana, mas há toda a parte da superação e de ser forte, sabe? É incrível ver a personagem passar por cima de tudo o que a vida jogou nela ♥

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  5. Nossa, como eu ainda não conhecia esse livro?
    Adoro livros que retratam guerras ou revoluções, e juro que se não lesse sua resenha ia ficar achando que é real, porque realmente parece ser.
    Esse tema é muito de ler, principalmente agora, com a guerra na Síria e tantos países negando abrigo aos refugiados, a gente pode ver como as pessoa são cruéis.
    Obrigada pela dica, anotei o livro e espero muito poder ler em breve!
    Beijos!

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    1. eu também adoro livros assim, por mais tristes que sejam *-* o livro me lembrou um pouco da Síria, em alguns pontos *-*

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  6. Oi Dryh, tudo bem?

    Eu não conhecia o livro e nem a autora, mas a premissa me interessou e sua resenha só contribuiu para aumentar ainda mais o meu interesse. Se vir a ter a oportunidade, vou querer lê-lo, sim! Ainda que eu tenha certeza de que vou sofrer lendo o livro, acredito que ele pode nos passar mensagens importantes. E se analisarmos, hoje em dia, ainda temos pessoas obrigadas a fugir de seu próprio povo e passando por coisas difíceis assim.

    Beijo!
    Ana.

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    1. espero que você consiga lê-lo, Ana, e que goste tanto quanto eu ♥ é um livro muito apaixonante e envolvente.

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  7. Oi tudo bem ?
    Não conhecia este livro mais me interessei muito por ele, aparenta ser uma historia muito comovente,acho que assim como todo livro que relata sobre o período de guerra mesmo sendo fictício ,sempre é muito impactante , e nos faz refletir muito.
    Gostei muito de sua premissa e não vejo a hora de conhecer a historia de Maria e toda sua trajetória ao meio de um período tão complicado.
    Beijos

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    1. é uma história muito linda ♥ espero que você também goste do livro, Aline :)

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  8. Oi Dryh, sua linda, tudo bem
    Adorei sua resenha!!!!! A Biruta está investindo nos livros, não conhecia essa história mas é impossível não se apaixonar por ela. Que avó cruel, sabe Dryh, como você falou, embora fictícia, essa história é muito real. Existem várias avós como essa, e as guerras e as condições pelas quais ela e a mãe e o irmão passaram, infelizmente ainda existem em vários lugares do mundo. Como você adoro livros com mais páginas, por isso também iria querer saber mais. Dica super anotada.
    beijinhos.
    cila.
    http://cantinhoparaleitura.blogspot.com.br/

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